A responsabilidade de ser adulto

Começou como um dia comum, depois que me mudei de cidade tenho aprendido a redescobrir o meu lugar, onde quero estar de fato, a vida adulta é recheada de obrigações das quais temos que arcar sem podermos nos defender nos declarando café com leite, você se lembra? É uma expressão muito comum em brincadeiras infantis para designar aquele que todos devem pegar mais leve. Na vida adulta, não estamos livres dessa compaixão salpicada de pena onde todos te olham e cochicham entredentes “coitada, ela terminou o namoro”, ou “não fala nada, ele está desolado com a perda do pai”, então temos uma colher de chá unanimemente concedida para dizer o que quiser, sentir-se triste e não conversar muito, falar o que vem à cabeça e decidir não ir ao aniversário, pois você está cansado demais para sorrir, só nesses momentos e apenas nesses, reclamamos o direito de sermos todos “café com leite”.

E nos outros?

Bem, nos outros temos de ser adultos, maduros e assumir nossos compromissos, arcar com o que foi dito, e receber o dedo na cara bem em meio aos olhos, sim, pois somos responsáveis por nossas ações, e nunca deixaremos de ser os culpados, culpa não é um sentimento simples de ser lidado, ele traz à luz a imagem torta do que fomos em comparação aquilo que gostaríamos de ser, é um autojulgamento, ou seja, fruto de nossa mente, e veja bem, não estou dizendo que o sentimento de culpa não seja necessário, sim é, ele molda nossa personalidade e nos obriga a dizer inúmeros “me desculpe” ao longo da vida, mas ele não deve ser o único norte das suas boas ações, ser compreensível e olhar a situação de todos os ângulos é a melhor forma de fugir do desconforto que é o sentimento de culpa, ter certeza de suas palavras e ações antes que magoe alguém, estrague relacionamentos promissores e esgote a paciência daqueles que consideramos nossos amigos seria o ideal para termos uma vida plena.

Mas quem tem tempo para isso? Digo quem, aquele que já se cansou de ser café com leite, de ter o direito de dizer bobagem quando o mais sensato era permanecer calado, que abraçou a ideia de se colocar no lugar do outro, para não ter de se desculpar, que entendeu que a sua vida é rodeada por pessoas com visões diferentes, sonhos distintos e pensamentos infinitamente opostos aos seus.

Eu não quero ser café com leite, digo isso em voz alta, em plenos pulmões, e me convenço de que ser adulto é mais que uma brincadeira de criança, é assumir responsabilidades das quais não posso me livrar.


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