Mudar pra quê?

Queremos mudar a nossa vida a todo instante, como se não fôssemos capazes de manter a farsa da nossa realidade por muito tempo. É como um comichão que começa com uma ideia mirabolante: mudar-se para outra cidade; procurar um novo emprego; encontrar um novo namorado; conhecer lugares e pessoas interessantes capazes de nos tirar do sufoco de sermos tão normais. Isso assusta? Esta  compreensão súbita da sua normalidade? Estamos fugindo da mesmice porque não somos inertes, contudo ela parece nos perseguir como um algoz perseverante que sussurra o desassossego, e como em um vício, entramos numa busca obsessiva por novos estímulos. Não estamos satisfeitos, e deveríamos?

Há sempre um momento de sossegar, abraçar o cobertor e apreciar nada além da própria companhia, que maravilhoso ouvir os próprios desejos, responder algumas questões que desembocam em outras diversas e nos manter reféns da dilatação do autoconhecimento. Conhecer a si não significa ter todas as respostas para se satisfazer de hora em hora com uma afirmação ou outra que soam duvidosas, mas que acatamos satisfeitos.

O equilíbrio está em respeitar o seu tempo sem atropelar os momentos simples, apenas pelo capricho de não saber apreciar a singularidade da sua existência. Descobrir-se é um processo extenso, que levará a vida toda, então para que tanta pressa em viver tudo de uma só vez?

A mudança exige coragem, essa que é impulsionada pelo medo de permanecer sempre o mesmo e deve ser administrada com sabedoria tanto nos momentos de loucura (quando os impulsos falam mais alto), quanto nos momentos calculados, e todos precisamos encontrar a temperança entre esses dois pontos.

Mudar é necessário para nossa evolução como pessoa, não somos os mesmos de ontem, e sou grato, pois odiaria ser sempre igual: agarrado aos mesmos vícios; aos erros que cometi; às pessoas que erraram comigo; a palavra dita que parece irremediável, mas que felizmente se desfaz com o tempo; ao meu pensamento retrógrado de antes, que não me orgulho; ao desapego às coisas essenciais que com o tempo e a mudança nos mostram o seu verdadeiro valor.

Troque de pele, mude para sua melhor versão a cada dia, mas tenha paciência com os que estão presos ao passado. O passado é consumido em segundos, milésimos, e cada instante procure mudar para melhor, já não faz sentido se agarrar ao que se foi.


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